Estamos em um ano sabático para conhecer o mundo e a nós mesmos. Para isso manteremos nossos olhos, mentes e corações atentos e abertos por onde estivermos. Toda semana faremos um relato do que passou e por onde passamos. Como tudo na vida tem dois lados, serão duas visões sobre os mesmos momentos.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Final feliz na Nova Zelandia

Ah, e o final não poderia ter sido mais feliz. Finalizamos nossa volta ao mundo no país mais lindo de belezas naturais que já vimos. Montanhas, lagos, pastos, praias... azul, verde, amarelo... sol, neve, nuvem... para todos os lados que olhávamos tinha uma paisagem nos esperando, pronta, como se fosse uma pintura.

Milford Sound
A Nova Zelandia é dividida em ilhas sul e norte e tem no total pouco mais de 4 milhões de habitantes. A expectativa de vida para homens é de 82 anos e para mulheres 86. No sul, onde tem as paisagens mais bonitas, vive somente 30% da população, passávamos por cidades que só tinha a rua principal, uma igreja, um posto de gasolina, um supermercado e muitos senhores e senhoras trabalhando, sempre sorridentes e pronto para nos receber e ajudar.

Para conhecer a ilha sul alugamos uma campervan, ou seja, carro, cama e cozinha. Mas como era de mochileiro, ela era toda adaptada: a cama tinha que armar todos os dias e a cozinha na verdade era um cooler que funcionava com a bateria do carro, um fogareiro de uma boca com gas de tubo, uma churrasqueira com um botijão de 2 litros de gas e utensílios de plastico. É, podemos dizer que acampamos dentro do carro, em outras palavras, passamos perregue até os ultimos dias. E assim passamos 14 dias indo de um lado pro outro, dormindo sob as estrelas e cozinhando de frente para os lagos.

Nossa campervan
Nossa rotina era acordar lá pelas 8, quando o sol aparecia e dava coragem de sair da campervan, preparar nosso café da manha, sair pela estrada, parar para preparar nosso almoço em algum lugar cênico, mais estrada, passar no supermercado, procurar um campsite, tomar banho quando dava, preparar nossa janta sempre acompanhada de um vinho (esse foi nosso luxo, a janta poderia ser arroz com ovo, mas tínhamos vinho todas as noites) e dormir logo que o sol ia embora. Nunca dormimos tanto.

Pelas estradas tem campsites para todos os gostos. Os AAA tem banho quente, cozinha equipada, sala de TV e até internet. Em geral ficam na cidade e as vagas são mais apertadas, fica um carro do lado do outro e custam uma média de 30 dólares por noite. O outro estilo é mais natural, mais afastado, no meio de uma paisagem, um terrenão que você estaciona o carro onde quiser, umas mesinhas de pic nic ao ar livre, um banheiro de fossa e às vezes torneira com água. Custam 10 dólares que você mesmo coloca na “honesty box”. Um doce para quem acertar qual foi o nosso preferido.

Banheiro de fossa em um campsite a caminho de Milford Sound
O grande atrativo da ilha sul são as estradas e não as cidades. As paisagens me surpreendiam a cada dia. Acometida pelo final da viagem não foram poucas as vezes que me senti tocada pensando que mesmo após 1 ano continuava a me encantar com o novo todos os dias. As paisagens mais bonitas são as mais turísticas. Minhas preferidas foram as estradas para Milford Sound, Queenstown, Monte Cook e Lago Tekapo. Cada estrada um cenário, mil fotos e o sentimento que não conhecemos nada desse mundo.

Paisagem estrada de Dunedin a Milford Sound
Começamos nossa viagem em Christchurch e seguimos até Dunedin, indo na direção sul da ilha, cada vez mais fria. De lá atravessamos a ilha de leste a oeste para a região dos fiordes onde fizemos um passeio de barco por Milford Sound. Literalmente um rio no meio das montanhas. Seguimos para Te Anau onde paramos para nosso primeiro churrasco com soneca à tarde.

Christchurch

Camping Te Anau, nosso primeiro churrasco
A parada seguinte foi em Queenstown, cidade conhecida pelos esportes radicais. Preferimos nossa paisagem e nosso camping baratinho para aproveitar um dos dias de sol mais bonitos que tivemos em toda a viagem. Foi também o dia de comemoração do nosso aniversário de 10 anos de casamento. Compramos um espumante, vinho, queijos, azeitonas e cozinhamos um macarrãozinho. Ok, foi um dia sem banho, mas em um camping com uma das melhores vistas e o céu mais estrelado do país. Nunca tivemos uma comemoração tão especial.

Estrada para Queenstown

Glenorchy, perto de Queenstowm, cenário do Senhor dos Aneis

Estrada de Glenorchy e Queenstown
 
Nosso camping de comemoração do aniversário de casamento
Atravessamos a ilha de volta, agora sentido leste, e passamos pelas estradas do Monte Cook em outra tarde de sol junto ao lago mais azul que já vi. No caminho paramos em um lugar de cultivo de salmão e garantimos nossa janta que foi em outro camping simplinho, comendo salmão fresco no pé do Monte Cook. No dia seguinte fizemos um trekking até uma das geleiras da região, mas o tempo não ajudou e a visão acabou ficando prejudicada. 

Mais churrasco em Wanaka, entre Queenstown e Monte Cook

Almocinho em algum lugar

Caminho para Monte Cook, o lago mais azul que já vi

Estrada para Monte Cook

Comendo salmão no camping no pé do Monte Cook

Trekking para geleiras do Monte Cook
Entre um churrasco e outro, uma soneca e outra e uma preguiça e outra, fomos caminhando em direção ao Lago Tekapo que era para ter a mesma cor do lago do Monte Cook, mas com o ceu nublado não conseguimos vê-lo tão bonito assim. O que vimos foi o amanhecer mais lindo de toda a viagem, meio ao acaso, indo para o banheiro de manhãzinha (o sol nasce às 7 por aqui), nos deparamos com o céu todo colorido.

Camping do Lago Tekapo, mais churrasco

Lago Tekapo
Antes de voltar para Christchurch ainda fizemos um desvio até Akaroa, sem pretensões, era meio que para passar o tempo. E ainda assim, a paisagem continuou a nos surpreender. Querendo fugir de um camping no meio da cidade acima do nosso orçamento, pegamos uma estradinha de muitas curvas e achamos um camping no meio do nada, lá no alto do morro, super paz e amor, com uma visão linda da cidade. É certo que o que economizamos na diária gastamos em gasolina, mas a vista valeu a pena.

Baía de Akaroa
Depois de nos apegarmos à nossa campernvan chegou o dia de devolve-la e trocar de transporte para nossa ultima semana de viagem. E dessa vez usamos a grande babada de realocation car, ou seja, para rotas menos utilizadas as locadoras precisam de um motorista que leve o carro de volta para as cidades principais. Para isso oferecem o carro de graça ou quase de graça e ainda pagam algumas despesas. Pegamos um carro normal por 4 dólares o dia e ganhamos a travessia do carro no ferry entre as ilhas sul e norte que custaria cerca de 200 dólares. E assim iniciamos nossa subida na ilha norte até Auckland.

Com 70% da população do país, ou seja, pouco menos de 3 milhões de pessoas onde 1 milhão está em Auckland, passamos por “cidades grandes” e entramos em rodovias onde as paisagens não eram os principais atrativos. O destaque da ilha norte foi Rotorua, região vulcânica onde visitamos uma vila que sai fumaça de vapor por todos os lados. O prometido era ver o jato de agua vindo das pedras que atingia 40 metros de altura. Vimos um jato, de 10 metros e muita fumaça. Mesmo assim foi interessante, sentir o cheiro forte do lugar, ver piscinas de agua borbulhando e até a lama borbulhando.

Jato de água de Rotorua
Acabamos nos apegando a outra rotina, de cada dia comprar nosso vinhozinho e procurar um lugar barato para passar a noite. Trocamos os campsites pelos hostels com molecada. Mas eis que na nossa ultima noite de carro, já pertinho de Auckland, achamos um bom lugar para nos despedir. Nosso quarto era um container com vista para as montanhas. Mais nada. E quem precisava de mais alguma coisa àquela altura?

Janta com vista para as montanhas
Entregamos o carro em Auckland, cidade grande e movimentada. Agora à pé novamente ficaremos mais 2 dias andamos pelas ruas, nos despedindo do país e de todo um sonho que está a um passo de acabar. Hora de arrumar a mochila pela ultima vez, muito mais gasta, suja e leve do que há 1 ano e tomar nosso ultimo voo, ou últimos 3 voos, que somam 26 horas de volta. E estamos voltando pra casa, felizes e realizados.  

Um comentário:

  1. Obrigado por dividir conosco tantos bons momentos! Que Deus os abençoe hoje e sempre!!! Estamos com saudades!!!

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