Estamos em um ano sabático para conhecer o mundo e a nós mesmos. Para isso manteremos nossos olhos, mentes e corações atentos e abertos por onde estivermos. Toda semana faremos um relato do que passou e por onde passamos. Como tudo na vida tem dois lados, serão duas visões sobre os mesmos momentos.

sábado, 24 de janeiro de 2015

10 dias no Camboja

Bom pessoal,

Chegamos em Phnon Penh, no Camboja, desde Saigon de ônibus. Foi uma viagem tranquila e confortável. Chegamos mas não tínhamos hotel reservado. A recepcionista do hotel em Saigon tinha nos avisado para reservar com antecedência porque era alta estação. Resultado: andamos por quase duas horas a procura de um hotel. Mas no final encontramos um bom e barato: US$ 12,00 por noite. Estávamos nós, o René e a Anita. O Camboja é um país pobre, sujo, com uma maravilha do mundo de principal atração e outras coisinhas: a maravilha é a região de Angok em Siem Riep e as outras são a história da guerra, alguns mercados e outras. Depois falo mais. Uma curiosidade aqui é nos caixas eletrônicos se saca dólar americano e não a moeda local. Fica mais fácil, mas achei que as coisas são um pouco mais caras em relação aos outros países do sudeste asiático, nem por isso são caras se comparadas com o Brasil.


Palácio Real
Depois de bem instalados, no dia seguinte seguimos para conhecer o Palácio Real, o mercado central e andar pelas ruas do centro. Como o Rei ainda mora no palácio não se poder entrar nele todo, mas o que deu para perceber é que é muito parecido com o da Tailândia. Na verdade é o da Tailândia que é parecido com o daqui, porque a arquitetura é típica do Camboja. Mas o da Tailândia é mais bonito, mais bem conservado. O mercado central é bem grande e com tudo de bugiganga que se possa imaginar. Comprei até um óculos da Oakley por US$ 5 que não durou 10 dias. No dia seguinte fomos conhecer a história da guerra que ocorreu aqui no período de 1975 a 1979. Apesar de curta ela foi muito trágica. Depois de longos períodos de desentendimentos, tomadas de poder de parte a parte, e pequenas guerras, um grupo de militares, o Krmer Vermelho, tomou o poder e instalou um regime que deturpava os conceitos de tudo. Cansados de tantas guerras o povo até comemorou a chegado ao poder dos “vermelhos”, pois imaginavam que as coisas iriam melhorar mas ninguém sabia que o pior ainda estava por vir. Foi um verdadeiro holocausto, uma limpeza étnica. Eles deturparam a palavra democracia porque segundo eles o regime implantado era democrático, deturparam as escolas que foram transformadas em prisões, deturparam as prisões que na verdade eram campos de extermínio, deturparam o ensino que não era necessário nem importante pois o que importava era produzir no campo e obedecer o regime, deturparam a vida e deturparam a morte. É quase impossível de acreditar, mas eles expulsaram todas as pessoa das cidades e as enviaram para o campo. Phonm Penh ficou deserta. Os que questionavam, desobedeciam, não sabiam trabalhar no campo ou até mesmo que sabiam ler e escrever ou mesmo os que usavam óculos eram considerados ou traidores ou desnecessários. Muitos foram enviados para o campo para realizar trabalhos forçados e desses milhares morreram de fome, sede ou foram assassinados. Até crianças foram obrigadas a trabalhar como escravos. Em quatro anos, acredita-se que mais de 2 milhões de pessoas foram mortas ou quase 30% da população. A escola que visitamos em Phonm Penh foi o maior “presídio” do regime, conhecido como S21, passaram por lá mais de 22 mil pessoas, entre homens, mulheres, crianças e idosos. Desse total apenas 7 pessoas saíram de lá com vida. Existem muitas fotos, relatos e histórias. Essa foi uma das piores histórias de guerra que já escutei na vida. Não fomos nem conhecer o campo de extermínio que fica a 15 quilômetros da cidade pois aquilo já tinha sido suficiente. Voltamos andando para a região do hotel e almoçamos pelo caminho. Nessa noite ficamos no hotel e no dia seguinte seguimos de van para a cidade de Siem Riep.


Primeiro dia: Angkor Wat...




Siem Riep é a cidade da região de Angkor Wat, uma das maravilhas do mundo (e merece o título). É uma cidade bem turística, com muitos hotel, para todos os gostos e bolsos, muitos bares e restaurantes (chopp por US$ 0,50) e é bem movimentada. Contratamos um tuk tuk e no dia seguinte seguimos para conhecer a maior atração do Camboja: a região de Angkor, com seus templos e cidades. Angkor Wat é o maior templo religioso já construído e mudou de religião algumas vezes nesse período. Primeiro foi Hinduísta, depois Budista, voltou a ser Hinduísta e por fim ficou sendo Budista. O templo é maravilhoso, com muitos desenhos nas paredes, uma arquitetura única e é todo feito de pedra. Cercado por um grande fosso, uma muralha e com um grande jardim em volta, o lugar todo é muito grande. Com o declínio da região, a cidade foi abandonada e apenas no templo de Angkor Wat, alguns monges budistas permaneceram. Com isso a preservação desse templo foi total. Os outros templos ficaram à mercê da natureza por mais de 300 anos e as árvores engoliram as construções criando paisagens surreais. Em Angkor Wat pode-se ver com detalhes a beleza dessas construções. No primeiro dia de visita fomos para: Angkor Wat, Ta Prohm, Bayon e Phonm Bakheng onde vimos o pôr-do-sol. O templo de Ta Prohm é onde as árvores mais engoliram as construções. Esse templo já foi cenários de alguns filmes como: Indiana Jones, Tomb Raider entre outros. Mas infelizmente a Angelina Jolie não estava por lá. É quase inacreditável as árvores monstruosas sobre os tetos de pedras dos templos. Com certeza as fotos são melhores que as palavras. E também fomos no templo de Bayon que é cheio de rostos esculpidos nas paredes. Foi um dia maravilhoso e foi só o primeiro. 


Ta Prohm...




Bayon...




No segundo dia começamos bem cedo, às 5:00h da manhã, para ver o nascer do sol de Angkor Wat. Mas como essa atração é obrigatória, estávamos nós e todos os outros turistas. Quase não deu para ver. Nesse dia fomos conhecer os templos mais distantes e a cidade de Angkor Thom e suas ruínas. Mas a verdade é que depois de ver os principais no dia anterior, os outros foram pouco surpreendentes. 


Segundo dia: amanhecer em Angkor Wat

Angkor Thom...





No terceiro e último dia voltamos para apreciar mais uma vez os templos de Ta Prohm (e a Angelina Jolie não apareceu) e Angkor Wat, onde terminamos o dia.


Terceiro dia: Ta Prohm...





e Angkor Wat




De Siem Reap fomos para Battambang para um “bate-e-volta” de duas noites. Essa é uma grande cidade com algumas atrações e a melhor foi, como posso dizer, uma revoada de morcegos com horário marcado: exatamente as 5:45 os morcegos começam a sair de uma caverna e eles são tantos que durante os primeiros 15 minutos o fluxo é muito intenso. Depois diminui um pouco mas o processo todo demora mais de 1 hora. Muito interessante de ver. As outras coisas eram templos e um “trem de bambu”. Na verdade são plataformas de bambu em cima de eixos pequenos de trem. A linha está desativada então eles aproveitaram para criar uma atração. O passeio todo de ida e volta leva quase uma hora e não se ver muita coisa. No final passeamos por uma vila e foi só. Nesse passeio conhecemos um espanhol que estava viajando, desde o Laos, de bicicleta. Até que fiquei com vontade, mas passou rápido. Fiquei cansado só de pensar.


Trem de bambu
Bat Caverna
Para voltar para Siem Reap utilizamos o transporte mais lento mas o mais cênico. O problema é que em uma hora se vê tudo que tem pra ver e nas outras 8 horas da viagem não se vê muita coisa diferente. E ainda mais sentado em uns bancos de madeira, nada confortáveis, a viagem não foi muito agradável. Mas chegamos em Siem Reap para passar nossa última noite no Camboja e nossa última noite com nossos companheiros de viagem das últimas três semanas: desde o Vietnam até aqui. Saímos para jantar em um restaurante que gostamos, depois compramos um vinho chileno e uma bebida de bambu da Coreia do Sul e voltamos para o hotel para conversar e nos despedir. Daqui em diante seguimos roteiro opostos: nós fomos para a Malásia e eles foram para o Laos.

René e Anita, foi maravilhoso viajar com vocês, tivemos muitos momentos agradáveis, boas conversas e excelentes jantares. Voltamos para casa com a certeza de que temos novos-velhos amigos no Chile. Obrigado por tudo. Nos vemos em breve em qualquer lugar que a gente queira: no Brasil, no Chile ou do outro lado do mundo. Grande abraço.

E assim nos despedimos do Camboja e dos amigos queridos. Agora estamos em Kuala Lumpur, cidade grande e moderna. Na semana passada completamos 9 meses de viagem. Agora não contamos mais os meses que se foram, mas quantos meses ainda faltam e não faltam muitos, 3 meses, em Abril estamos de volta.

Angkor Thom

Angkor Wat


Valeu.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Vietnam - Parte Dois

Bom pessoal,

De Hoi An partimos para Dalat, uma cidade nas montanhas com um permanente clima de primavera e segundo o guia que temos, em estilo francês. Foram 12 horas em um ônibus noturno até Nha Trang e de lá em um micro-ônibus, mais 5 horas até Dalat. Chegamos e ficamos no hotel onde o ônibus parou, a 5 minutos do mercado central, por US$ 10 a noite. Deixamos as malas e fomos procurar um lugar para almoçar e caminhar um pouco. E andando pela cidade não consegui perceber o tal “estilo francês” da arquitetura mas a cidade é bem bonita, clima agradável e com um grande lago bem no meio. Depois de andar um pouco fomos passear de pedalinho e curtir um pouco o sol que a muito tempo não víamos. Nessa noite nos encontramos novamente com o René e a Anita, que já estavam na cidade, para jantar. Primeiro comemos uma tortilha na rua muito gostosa e depois fomos para um restaurante comer a sopa de noodles com carne do Vietnam: o Pho Bo (Fô Bô). No jantar percebemos que daqui em diante, até o Camboja, iriamos fazer o mesmo roteiro e decidimos faze-lo juntos.
Lago em Dalat


Fábrica de Seda



No dia seguinte contratamos um tour pela região para conhecer algumas plantações, uma vila, uma cachoeira, um templo e outras atrações na cidade. A região é produtora de flores, café, frutas e hortaliças. Visitamos também uma fábrica de seda onde eles, a partir do casulo, produzem a linha de seda. Fomos a umas estufas de flores e depois do almoço fomos a uma fazenda de café e lá provei o café mais famoso do Vietnam: o café moca-weasel, onde moca é tipo de café e weasel é o nome do “gato” que é parte no processo de “melhoria da qualidade” do café. Ou seja, esse é o café feito a partir dos grãos de café encontrados no cocô do gato. Ou seja, é café de cocô de gato. O gato é natural desse região da Ásia e ele come os grãos de café, como o grão é muito duro ele passa inteiro pelo processo digestivo do gato resultando em um grão de melhor qualidade com menos acidez e mais saboroso. É realmente um excelente café, um pouco caro em comparação com os cafés “normais”, mas realmente muito bom. Não poderia sair do Vietnam sem experimentá-lo. Desde que assisti o filme The Bucket List, eu tinha curiosidade de experimentar. Feito.


Café In Natura
Café em processamento
Café limpo e seco
Produto Final

No dia seguinte seguimos viagem para Saigon ou Ho Chi Ming, o nome oficial a quase 40 anos. Mas todos no sul preferem chamar a cidade de Saigon mesmo. E Saigon é uma cidade bastante moderna com uma região turísticas bem movimentada. Procuramos um hotel nessa mesma região mas do lado mais tranquilo. Chegamos já no final dia e saímos apenas para pesquisar preços dos tours para o Delta do Rio Mekong e para jantar. E a menina do hotel nos recomendou um restaurante na rua de trás que tinha todos os requisitos básicos: bom, barato e gostoso. No primeiro dia em Saigon fomos visitar o museu da guerra do Vietnam (que aqui é a Guerra Americana, Guerra do Vietnam é só para turista) e vimos muitas fotos dos horrores da guerra que durou mais de 17 anos, primeiro apenas entre os vietnamitas do norte contra os do sul, apoiados indiretamente e respectivamente, pela Rússia e pelos Estados Unidos e posteriormente (a partir de 1964 até 1975) com a entrada direta do Estados Unidos apoiando o Sul contra o Norte (comunista). O principal objetivo dos Estados Unidos aqui era evitar o avanço do comunismo na região. Todos sabem como acabou a guerra.  Sai com a sensação/dúvida/questionamento de como em tão pouco tempo os vietnamitas conseguiram esquecer todas as mazelas e seguir em frente, pois não se perceber nenhum tipo de rancor ou ódio ou mesmo mimimi em relação aos americanos. Nesta mesma noite tivemos a oportunidade de questionar um casal que conhecemos em Dalat, de Saigon e que nos convidaram para jantar. O Tony e a Shirlene são muito simpáticos, atenciosos e hospitaleiros, e no jantar conversamos de tudo um pouco. E sobre a guerra eles apenas disseram que a guerra era história e que era necessário seguir em frente. A geração deles já nasceu no pós-guerra e a guerra não era mais assunto presente, era passado. Mudamos também de assunto e passamos a falar de coisas mais gostosas: comidas em geral e do Vietnam em particular. “Mó” papo de gordinho. Obrigado a René e Anita e ao Tony e Shirlene pelos bons momento e pela conversa fácil e agradável. Voltamos para o hotel e no dia seguinte fomos conhecer, primeiro um templo de uma nova religião e depois os túneis de Cu Chi, região onde os vietcongos ou VC (Vietnamitas Comunistas) construíram uma rede de tuneis para se esconder e atacar as tropas americanas. A rede de túneis tem mais de 200km, são túneis bem pequenos e apertados e bastante camuflados na paisagem. No outro dia começamos bem cedo: às 7:00hs fomos para o delta do rio Mekong.

Túneis em Cu Chi
Fomos de ônibus para o Delta mas lá trocamos por um barco e navegamos pelo rio, primeiro de canoa e depois em um barco a motor. Depois bebemos chá com mel local, comemos frutas produzidas na região, bebemos cachaça de arroz (com cobra dentro da garrafa), experimentamos doce de coco, almoçamos em uma das ilhas e só depois fomos para o hotel em Can Tho. À noite fomos conhecer a cidade e suas feirinhas de rua e as várias comidinhas. Conhecemos nesse passeio um casal brasileiro: o Nicolas (que na verdade é sérvio) e a Melina, a também brasileira Taís, que está viajando já faz seis meses, o Rodrigo do Chile e a Natália da Espanha. Foi muito divertido compartilhar histórias, experiências e visões sobre vários lugares pelos quais todos passaram. Dormimos em Can Tho e no dia seguinte saímos para conhecer o mercado flutuante (para locais) da cidade. Cheio de barcos que trazem verduras e frutas das fazendas próximas para vender para distribuidores, comerciantes e restaurantes, é um mercado bem original, sem muito glamour, beleza, mas verdadeiro, como sempre foi desde muito tempo e que não foi “remodelado” para turistas. Depois disso fomos conhecer uma vila, mas agora de bicicleta: andamos por uma hora em pequenas ruas de concreto no meio do mangue, com muitos canais e algumas casas onde as crianças faziam questão de nos cumprimentar com um sonoro “Hello”. E quando eu respondia com um “Shin Jaw” (olá em vietnamita) todas sorriam assustadas e nem conseguiam responder. Foi um passeio muito agradável. Em um determinado momento paramos sobre uma ponte, logo depois de um bar onde alguns homens estavam bebendo. Um senhor então me ofereceu uma dose da cachaça de arroz mas eu recusei. Olhei para o outro lado e nem notei quando ele veio em minha direção e me perguntou já com a mão no meu ombro: “Porque não?”. Surpreso com a pergunta, a única resposta foi: “Por que são 8:30 da manhã.” Como a resposta não colou muito (ele já estava bêbado), tomei a dose de cachaça de arroz (uma delícia) mas só depois de uma foto para a posteridade. No final do passeio o pneu da bicicleta da Raquel ainda furou e ela voltou na minha garupa. Tivemos também a oportunidade de comer algumas iguarias vietnamitas mas recusamos todas: churrasco de cobra, sapo ou rato (quem provou aprovou). Voltamos para Can Tho e depois do almoço (arroz com porco) voltamos para Saigon. No nosso último jantar em Saigon e no Vietnam, voltamos ao mesmo restaurante que tínhamos ido com o Tony e a Shirlene. E juntos com o René, a Anita e a Taís nos despedimos do Vietnam. Foi uma maravilhosa visita, gostei muito de todos os lugares (apesar do clima não ter ajudado no início), das comidas e das pessoas. Inesquecível.

Feira flutuante no Rio Mekong

Vila no Delta do Rio Mekong
Valeu. 

Vietnã: gentileza, simplicidade e leveza

... e o ônibus não tinha banheiro. 18 horas em um ônibus sem banheiro com uma nuvem de chulé pairando no ar... e assim vamos caminhando pelo Vietnã.

Dalat é uma cidade a 1.500 metros de altitude, conhecida como a Campos do Jordão para os vietnamitas, com temperatura amena, um lago no meio da cidade com pedalinho e uma preguiça sem fim. Sem muita coisa pra fazer contratamos um passeio que tinha 8 atrações, algumas bem pega turista como conhecer uma vila de uma etnia específica, e na verdade era apenas uma casa antiga com um velhinho. Mas tiveram momentos diferentes como conhecer uma fabrica de fios de seda, acompanhando toda a produção desde o casulo do bicho da seda sendo cozido para retirar o fio, que mede mais de 1.000 metros, até o novelo final. Visitamos também uma fazendo de café, uns dizem que o Vietna é o primeiro pais produtor de café, outros dizem que o primeiro é o Brasil, seguido pelo Vietna. Enfim, o que importa é que aqui experimentamos o Waesel, o café mais caro do mundo feito do cocô do civeta, um bichinho que parece um esquilo. Café não é o meu forte e mal consigo distinguir os sabores de um bom café, mas sei que nunca bebi um café tão pleno, sem nada de acidez.

Produção de silk

Degustando o café mais caro do mundo, aqui nem tanto, a 3 dólares a xícara

Nós 2 na Crazy House, uma casa ao estio Alice no País das Maravilhas

De volta ao open bus, caminhamos para Saigon, a maior cidade do Vietna, com 10 milhões de habitantes e 6 milhões de motos. Imaginem a 23 de Maio em SP numa sexta à noite só com motos... de tão diferente foi um espetáculo para os olhos, mas é quase tão difícil quanto nossas vidas em SP.

Saigon foi para conhecer um pouco da guerra e suas consequências. O Museu da Guerra é cheio de fotos que mostram as atrocidades cometidas contra nós mesmos. Uma visita pesada que contrasta com a cidade moderna e ocidental que corre lá fora, apenas 40 anos depois da guerra terminada.  No dia seguinte fomos conhecer os tuneis onde os vietnamitas se escondiam. São 200 Km de tuneis apertados, construídos propositadamente para o tamanho deles, assim os americanos não conseguiam entrar. Ali também vimos todas as artimanhas da época, como eles se escondiam e se defendiam com o que tinham disponível.

Andando pelos tuneis estreitos

Nesse mesmo dia conhecemos o Templo Cao Dai que é uma mescla do catolicismo, islamismo e budismo, religião praticado por apenas 2% da população. Foi interessante descobrir que o país é 10% católico, 40% budista, 10% outras religiões. E 40% não tem religião nenhuma.

Cerimonia religiosa no templo Cao Dai

No passeio que fizemos em Dalat conhecemos a Shirlene e o Tony, um casal vietnamita de Saigon que nos convidou para uma janta quando chegássemos na cidade. Estávamos em 6, junto com a Anita e o Rene, e tivemos uma noite muito agradável comendo comida local e conversando como se as barreiras de língua e diferenças culturais nunca existissem. Achei muito interessante a visão que eles tem sobre a guerra, enquanto nós, ocidentais, estávamos surpresos com a reconstrução do país em tão pouco tempo, eles disseram que a guerra foi há tantos anos que já tinha dado tempo suficiente para todos seguirem em frente e deixarem a guerra no passado. Um casal jovem, com brilhos nos olhos, coração aberto, de fato me encantou. Shirlene and Tony, thank you for the lovely night.

Lovely night

Ainda em Saigon, fizemos um passeio de 2 dias e 1 noite para o Delta do Mekong, aquele mesmo rio que vem nos acompanhando desde o Laos. Esse foi outro passeio que contratamos com algumas pegadinhas mas no final das contas foi agradável. Visitamos um verdadeiro floating marketing, andamos de bike por uma vila onde às 8h30 da manhã uma mesa cheia de locais fez o Lucio beber um shot de cachaça, conhecemos uma fabrica de papel e noodle de arroz, andamos de canoa pelo Rio, enfim, tivemos 2 dias de turistas.

Barqueira do Delta do Mekong

Bebendo cachaça às 8 da manhã

Galo de briga

Nós 2 no passeio de bike

Papel de arroz

Em 20 dias devo ter engordado uns bons kilos, bebendo a cerveja mais barata da Ásia todos os dias e dando conta de experimentar toda a mescla de sabores incríveis. O prato que mais gostei foi o Bumbo Nam Bo, uma tigela de macarrão de arroz com algumas folhas verdes, fatias de carne, amendoim e um caldo misterioso agridoce que fez o meu estomago muito mais feliz. Além do pho bo (noodles de arroz com carne), cao lao (parecido com o Bumbo Nam Bo, típico de Hoi An), spring roll frito e fresco, banh mi (um saduiche despretensioso com um monte de molho secreto em uma mini baguete).


Bumbo Nam Bo

Spring Roll

Com Anita e Rene, restaurante baratinho do lado do nosso hotel em Saigon

Gostei muito de estar em terras vietnamitas, um contraste de ocidente x raízes locais que torna o país único, com suas motos, suas mesinhas nas calçadas e as senhoras andando com as cestas penduradas nos ombros. Confesso que cheguei armada, de tanto ler e ouvir por aí sobre os golpes e o povo não receptivo aos estrangeiros. Essa armadura caiu já no primeiro dia quando estávamos procurando hospedagem em Hanoi na véspera do Natal com tudo cheio e as pessoas fazendo o possível para nos acomodar bem. Aqui tive contato com o povo mais aberto do sudeste asiático, de sorriso fácil e que te toca quando fala, como nós brasileiros. Fomos recebidos com muita gentileza, simplicidade e leveza. Facil se sentir à vontade, fácil se abrir e se deixar envolver, mas difícil de se despedir e partir. Cám o´n!!!